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dor visceral

DOR VISCERAL

O Ano Global Contra a Dor assinalado pela IASP e o Ano Europeu Contra a Dor assinalado pela EFIC entre outubro de 2012 e outubro de 2013, teve como tema a Dor Visceral.

Foram desenvolvidas, para profissionais de saúde e pacientes, várias acções dedicadas a esta questão.

Em anexo remetemos informação relevante sobre Dor Visceral, emanada pela IASP e EFIC.

 

APRESENTAÇÃO: AGUDA VS CRÓNICA DA DOR VISCERAL

A dor visceral tem origem nos órgãos internos e pode dever-se a inflamação, infeção, perturbações da motilidade dos órgãos, neoplasias, alterações nos nervos transmissores das sensações viscerais ou isquemia.

A dor visceral aguda pode estar associada a situações reversíveis ou com risco de vida que devem ser adequadamente consideradas.

Tradicionalmente, a dor visceral crónica causada por uma lesão patológica detectável por meios auxiliares de diagnóstico tem sido categorizada como "orgânica", e "funcional" quando a etiologia permanece obscura, pensando-se que possa existir uma hipersensibilidade visceral periférica ou central.

A dor é angustiante e, processos psicológicos e psiquiátricos subjacentes, alteram a resposta a eventos dolorosos. Intervenções seguras e comportamentais são apropriadas para todos os distúrbios dolorosos, mas podem ser particularmente benéficas quando os sintomas são recorrentes ou persistentes.

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A SDAF é um estado de dor abdominal crónica recorrente não devido a doenças estruturais, orgânicas ou metabólicas. Não se relaciona com estímulos fisiológicos como comer, defecação, menstruação ou exercício físico.
É mais frequente em mulheres na 4ª década de vida.
O diagnóstico baseia-se nos critérios de Roma III e na exclusão de doenças orgânicas, estruturais ou químicas.
Os objectivos do tratamento são reduzir o sofrimento e melhorar a qualidade de vida, com base numa abordagem biopsicossocial, parceria médico-doente e fármacos antidepressivos.

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O síndrome de dor crónica pélvica masculina apresenta-se como uma pressão ou desconforto localizados na pélvis, períneo ou órgãos genitais, não sendo originada em causas explicáveis como infeção, neoplasia o anomalia estrutural. Pode ser acompanhada por disúria, dor na ejaculação, sintomas urinários obstrutivos ou irritativos e disfunção sexual. Os sintomas sistémicos incluem mialgias, artralgias e fadiga inexplicável e, como comorbilidade surge depressão, stress e ansiedade.
A fisiopatologia ainda é desconhecida mas provavelmente é um processo complexo e multifatorial que resulta num síndrome de dor crónica neuropática/muscular.
O tratamento da dor é multimodal, deve ser avaliado o impacto da dor e tratamento na função sexual, podendo ser utilizados fármacos com indicação na dor neuropática, associados a terapia cognitivo-comportamental.
A cirurgia deve ser reservada para indicações específicas (ex.: obstrução uretral ou do colo da bexiga).

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A dor visceral é uma dor com origem nos órgãos internos, mal localizada, referida, sem uma associação coerente com a patologia e com forte resposta autonómica desencadeada por estímulos mínimos.
A dor referida tem dois componentes: (1) localização da dor em tecidos somáticos cujo inervação nociceptiva se encontra no mesmo segmento espinhal (ex.: dor isquémica cardíaca sentida no peito e no braço) e (2) sensitização de todos os tecidos com inervação no mesmo segmento espinhal (ex.: dor à palpação dos músculos do dorso em doente com cólica renal).
Neste folheto descrevem-se as vias periféricas e centrais responsáveis pela sensação visceral.

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Pancreatite é a dor causada pela inflamação do pâncreas, podendo ser aguda, por destruição aguda de tecido pancreático, ou crónica, com lesão permanente e compromisso funcional, associada a fibrose pancreática. A pancreatite crónica pode cursar com exacerbações, habitualmente desencadeadas pelo consumo de álcool ou alimentos gordurosos.
A dor é localizada à região epigástrica e dorso, acompanhada de vómitos (por vezes mais problemáticos que a própria dor), perda de peso, esteatorreia e má absorção.
O tratamento da maioria dos episódios de pancreatite aguda é conservador, com reposição hidro-electrolítica, restrição alimentar e abstinência de álcool. Quando a necrose pancreática é significativa, há infeção ou outros processos metabólicos sistémicos, a pancreatite pode ser uma ameaça à vida e requerer intervenção médica e cirúrgica agressivas.

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A dor torácica semelhante à dor da angina é um sintoma alarmante, no entanto, 10% a 50% destes doentes, após investigação invasiva, não têm doença cardíaca e são classificados como tendo dor torácica de origem não cardíaca (DTNC).
A DTNC pode ter na sua génese perturbações gastrointestinais, pulmonares, músculo-esqueléticas, infecciosas ou relacionadas com droga e problemas psicológicos, sendo que o esófago é considerado como o principal envolvido na DTNC. A dor é descrita como opressiva ou ardor e pode ser desencadeada pela deglutição ou exercício.
A avaliação diagnóstica gastrointestinal destina-se a demonstrar ou excluir refluxo gastroesofágico patológico, hipersensibilidade ou anomalias motoras do esófago.
O tratamento é um desafio, pelo natureza heterogénea da doença, podendo ser feito com fármacos supressores da secreção ácida, relaxantes musculares, antidepressivos tricíclicos, inibidores seletivos da recaptação da serotonina e da serotonina-noradrenalina. Têm sido relatadas melhorias sintomáticas com adenosina, injeções endoscópicas de toxina botulínica, terapia cognitivo-comportamental e hipnoterapia.

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A dor abdominal é um sintoma comum que origina milhões de consultas em ambulatório. A dor abdominal é o principal sintoma associado aos diagnósticos mais frequentes de internamento em Gastroenterologia nos Estados Unidos: cálculos biliares, pancreatite aguda, apendicite aguda e diverticulite.
A dor abdominal é também a característica mais comum dos distúrbios gastrointestinais funcionais, tais como o síndrome de cólon irritável e dispepsia funcional.
Em resumo, tanto os distúrbios gastrointestinais funcionais como orgânicos podem cursar com dor abdominal, conduzindo a significativos custos em cuidados de saúde.

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A cistite intersticial/síndrome de dor vesical (CI/SDV) manifestam-se como uma dor crónica, pressão ou desconforto, associada a urgência ou frequência urinária, sem qualquer causa aparente (neoplasia, infeção ou anomalia estrutural). Pode associar-se a polaquiúria, nictúria e evidência cistoscópica de glomerulações (hemorragias petéquiais submucosas) ou lesões/úlceras na mucosa (lesões de Hunner).
A prevalência é maior em mulheres na 4ª década de vida, estando frequentemente associada a fibromialgia, síndrome de cólon irritável, cefaleias, alergias, distúrbios reumatológicos, vulvodínia, depressão e ansiedade.
A fisiopatologia é mal conhecida mas provavelmente multifatorial, englobando as teorias: uma barreira de revestimento da bexiga incompleta, presença de mastócitos ou outros factores imunológicos, hipersensibilidade do sistema nervoso periférico ou central, fatores genéticos e espasmo muscular do pavimento pélvico.

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O síndrome de cólon irritável e a dispepsia funcional são dois exemplos de distúrbios intestinais funcionais. Cursam com dor abdominal, persistente ou recorrente e são muito comuns em todo o mundo, afetando 15-20% da população.
Existem dois grandes mecanismos fisiopatológicos para explicar este síndrome: (1)hipersensibilidade visceral à distensão mecânica que parece correlacionar-se com a dor pós-prandial e (2) perturbações psicológicas e psiquiátricas (essencialmente ansiedade, depressão e somatização) que são muito comuns nestes doentes, podendo ter um papel patogénico.
Diversos estudos clínicos têm sugerido que a comorbilidade psicossocial é um dos principais contribuintes para a gravidade da dispepsia funcional e o seu impacto na qualidade de vida. Por este motivo, o tratamento bem sucedido de doentes com distúrbios intestinais funcionais requer uma atenção particular a estes factores psicossociais e, muitas vezes, consulta com profissionais de saúde mental.

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