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dor aguda

DOR AGUDA

O Ano Mundial Contra a Dor assinalado pela IASP entre outubro de 2010 e outubro de 2011, teve como tema a Dor Aguda

Foram desenvolvidas, para profissionais de saúde e pacientes, várias ações dedicadas a esta questão.

Em anexo remetemos informação relevante sobre Dor Aguda, emanada pela IASP.

A dor aguda é a consciencialização de um sinal nociceptivo produzido por uma lesão tecidual recente, que pode ser complicada pela sensibilização do sistema nervoso periférico e central. A intensidade da dor aguda relaciona-se com o processo inflamatório, cicatrização dos tecidos e o movimento, tendo como característica primordial a sua resolução.
Na natureza, a dor aguda sinaliza uma lesão tecidual e a sensibilização inibe o comportamento normal de uma forma protetora para minimizar o risco e promover a cicatrização sendo que, desta forma e embora seja desagradável, contribui para a sobrevivência. Em situações médicas, tais como cirurgia ou procedimentos invasivos, raramente tem utilidade, podendo até ser deletéria.
A variabilidade individual na intensidade da dor referida em resposta a situações idênticas, pode ser explicada por uma conjugação de fatores genéticos, epigenéticos, género e história pessoal.
Dor é o motivo de ida à urgência em 70% dos doentes e, apesar dos avanços científicos, o controlo inadequado da dor aguda continua a ser mais a regra do que a exceção.
A dor aguda tem consequências negativas para o doente, para os clínicos que o atendem e para os administradores da instituição. O controlo inadequado da dor coloca o doente em risco, cria sofrimento desnecessário, aumenta os custos dos cuidados de saúde e aumenta a probabilidade de progressão para dor crónica.

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Com o surgimento de novos fármacos e técnicas, o alívio da dor aguda tem ganho reconhecimento em variadas situações clínicas, assim como grupos específicos têm atraído a atenção – idosos, crianças, grávidas, doentes com deficits cognitivos e incapacidade de comunicação, doenças renais ou hepáticas e tolerantes a opióides.
Atualmente no tratamento da dor aguda, para além do alívio da dor, realça-se a diminuição da morbilidade pós-operatória, redução do risco de desenvolver dor crónica pós cirurgia, trauma ou uma condição médica aguda.
Um grupo de evidências só pode guiar a prática clínica se for reconhecida, sistematizada e atual. As revisões sistemáticas quantitativas (meta-análise) são o melhor nível de evidência disponível. As diretrizes da prática clínica oferecem orientações específicas de tratamento baseado na evidência de condições álgicas particulares. Os resumos abrangentes de evidências fornecem uma visão atual e geral das melhores evidências disponíveis para o tratamento da dor aguda de diferentes etiologias. As Tabelas de classificação analgésica podem resumir evidências de estudos aleatórios, duplamente cegos e doses únicas, de medicações individuais, comparadas com placebos, dadas a doentes com dor moderada a severa, requerendo alguma cautela a interpretação destes dados.

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Dor é a razão mais comum para as pessoas procurarem cuidados de saúde, não estando a maioria das vezes relacionada com traumatismos e sim com doenças médicas como lombalgia e cervicalgia miofascial, dor abdominal, cefaleia, dor torácica e dor secundária a infeções respiratórias altas.
Para atingir um tratamento da dor satisfatório, o médico deve primeiro reconhecer e avaliar a dor, utilizando os instrumentos de avaliação padrão de uma forma rotineira.
Devem ser desenvolvidos e instituídos protocolos de avaliação e tratamento da dor, nos quais se devem incluir intervenções analgésicas iniciadas por enfermeiros porque podem resultar no alívio mais rápido da dor.
Descrevem-se diretrizes gerais para o tratamento de condições específicas, como a dor abdominal aguda, dor lombar aguda, cólica renal e enxaqueca.

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A prevenção eficaz ou o alívio da dor aguda tem custo-eficácia e, para além do doente, também as instituições beneficiam com um bom controlo da dor.
A dor aguda pode ser controlada com recurso a várias intervenções, a designada "analgesia multimodal".
A anestesia regional visa impedir a passagem do estímulo nociceptivo; a medicação antiinflamatória visa a inflamação e a sensibilização dela decorrente; e as medicações espinhais visam controlar a sensibilização central. Os opióides visam a modulação endógena da dor.
Embora ninguém deseje que os doentes sofram desnecessariamente, continuam a haver barreiras para o tratamento adequado da dor aguda, quer por parte dos médicos e outros profissionais de saúde, quer pelos responsáveis institucionais.

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A sensação de dor aguda é causada por dano tecidual, podendo ocorrer na pele, músculos, ossos, tendões, ligamentos e órgãos, variando os sintomas de acordo com o tecido lesado e extensão da lesão. A informação álgica é transportada da periferia para o sistema nervoso central pelos nociceptores. A sensibilização é uma caraterística dos nociceptores, havendo uma resposta aumentada aos estímulos no local da lesão, chamada hiperalgesia primária. A ativação do nociceptor e a sua sensibilização são mediadas pelas prostaglandinas, fator de crescimento neural, interleucinas, citocinas e meio ácido, podendo ainda os nociceptores ser diretamente atingidos e ativados.
A manutenção da aferência nociceptiva durante ou após a lesão pode aumentar a capacidade de resposta dos neurónios nociceptivos no sistema nervoso central, chamada sensibilização central. Esta amplia a transmissão aferente dos tecidos periféricos e produz hiperalgesia secundaria, que é uma resposta álgica evocada por estímulos aplicados fora da área de lesão inicial.

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Os estudos baseados na evidência mostram que o tratamento ideal da dor aguda reduz o risco de complicações, permite alta hospitalar precoce, facilita a recuperação, aumenta a satisfação e melhora a qualidade de vida dos doentes, possibilitando a optimização dos recursos clínicos, além de diminuir os custos a curto e longo prazo. Evidências de alta qualidade atestam a eficácia de vários medicamentos e suas vias de administração, assim como de técnicas não farmacológicas no tratamento da dor aguda.
Ainda assim, na prática clínica mantém-se a subavaliação e subtratamento generalizados da dor aguda, assim como a falta de planos proactivos dirigidos para o tratamento da dor.
As lacunas entre a evidência e a prática refletem barreiras na implementação prática da evidência científica e a incapacidade a longo prazo de solucionar mitos prevalentes relacionados com a dor aguda e seu controlo, o que leva a pensar na existência de lacunas relacionadas com os profissionais de saúde, pacientes e sistema de saúde.

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A dor pós-operatória consiste num conjunto de variadas experiências sensoriais, emocionais e mentais desagradáveis, relacionadas com respostas autonómicas, endócrinas, metabólicas, fisiológicas e comportamentais.
Uma pesquisa recente demonstrou que mais de 80% dos doentes submetidos a cirurgia relatam dor no pós-operatório e que, apesar dos avanços substanciais nas pesquisas de dor, menos de metade recebem alívio adequado.
A dor pós-operatória é causada por lesão da pele, músculos, ossos, tendões, ligamentos e vísceras, dependendo a sua intensidade do tipo de tecido lesado e extensão da agressão cirúrgica.
A curto prazo a dor aguda não aliviada cria sofrimento desnecessário, pode aumentar a morbilidade e mortalidade peri-operatória, aumenta o tempo de internamento e custos associados.
Entre 10 e 50% dos doentes submetidos a cirurgias desenvolvem dor crónica pós-operatória, considerando-se que o risco de ocorrência da mesma aumenta nas situações de dor aguda mal controlada.

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Para facilitar a implementação de mudanças devem ser:

  • Realizados ensaios clínicos que abordem situações clínicas mais realistas, focados nas consequências funcionais, efeitos colaterais e qualidade de vida, considerando ainda a relação custo-benefício entre as diferentes intervenções;
  • As evidências baseadas em diretrizes e recomendações devem estar disponíveis no lugar de atendimento e ser escritas de forma acessível a todos os profissionais de saúde;
  • As evidências devem ser suplementadas por feedback e indicadores de qualidade, estrutura de registos para monitorizar situações clínicas e ainda sistemas de suporte de decisões clínicas;
  • Os doentes, seus cuidadores e o público devem ser informados sobre a importância do controlo da dor, segurança e eficácia dos tratamentos e considerados a mais valiosa fonte de feedback na avaliação da qualidade do controlo das dor;

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