Login

cefaleias

CEFALEIAS

O Ano Global Contra a Dor assinalado pela IASP entre outubro de 2011 e outubro de 2012, teve como tema as Cefaleias.

Foram desenvolvidas, para profissionais de saúde e pacientes, várias ações dedicadas a esta questão.

Em anexo remetemos informação relevante sobre Cefaleias, emanada pela IASP.

Podemos dividir a neuromodulação em:

  1. Invasiva – estimulação de nervo periférico, do vago, medular e cerebral profunda hipotalâmica;
  2. Não invasiva – Estimulação elétrica transcutânea de nervo (TENS), magnética transcraniana e transcraneana com corrente direta.

O princípio subjacente é a modulação de estruturas neuronais que estão envolvidas direta ou indiretamente na transmissão de estímulos dolorosos ou no processamento cerebral destes estímulos.
Enquanto as técnicas não invasivas têm uma utilização mais liberal, para as técnicas invasivas os doentes devem ser criteriosamente selecionados e tratados por uma equipa multidisciplinar, tendo em consideração os riscos potenciais.
Assim sendo, a abordagem neuromoduladora é uma arma promissora como opção adicional nas situações de cefaleia refratária, após cuidadosa seleção.

pdfDownload ptFlag enFlag

A neuroimagem pode ser:

  1. Diagnóstica (TAC e RMN) – utilizada para excluir causas secundarias como tumores cerebrais;
  2. Funcional (PET - tomografia por emissão de positrons e ressonância magnética funcional) – utilizada em pesquisa científica, investiga o funcionamento do cérebro;
  3. Morfométrica ou estrutural – utilizada em investigação científica para perceber, por exemplo, as diferenças estruturais entre doentes com e sem enxaqueca.

A neuroimagem funcional e estrutural ajudou a elucidar a função do tronco cerebral na enxaqueca. Nas cefaleias em salvas a PET, durante as crises agudas, detetou uma ativação na substância cinzenta hipotalâmica ipsilateral que não se verifica fora das crises de dor.
A neuroimagem tem ajudado a entender o substrato anatómico e fisiológico das cefaleias primárias, podendo no futuro contribuir para o tratamento profilático e abortivo destas doenças.

pdfDownload ptFlag enFlag

A enxaqueca é a cefaleia primária mais estudada em genética, sendo causada por uma combinação de fatores ambientais e genéticos, estes últimos mais importantes na enxaqueca com aura.
O estudo genético das cefaleias primárias tem ajudado na compreensão das bases moleculares destas doenças. A enxaqueca hemiplégica familiar é a mais estudada, havendo mutações nos canais de sódio e cálcio, resultando num aumento das vias excitatórias glutaminergicas.
No futuro, o verdadeiro desafio será combinar a pesquisa genética e neurobiologia para melhor esclarecer as variantes de genes causadores de cefaleias e estabelecer novos tratamentos.

pdfDownload ptFlag enFlag

As técnicas neurofisiológicas permitem-nos estudar a atividade do sistema nervoso e na prática clínica diária elas são muito úteis no diagnóstico de doenças neurológicas como a epilepsia e as neuropatias.
No caso da enxaqueca a contribuição da neurofisiologia para o seu diagnostico é limitada, porque os seus resultados advêm da análise de grupo.
Estas técnicas podem ser utilizadas para determinar a disfunção do SNC e ajudar no entendimento da fisiopatologia da doença. Neste sentido verifica-se que, entre as crises, o cérebro do doente com enxaqueca possui uma redução do nível de pré-ativação e um compromisso da habituação a estímulos repetitivos, podendo estes fenómenos ter um papel importante na génese da enxaqueca.

pdfDownload ptFlag enFlag

A enxaqueca afeta uma em cada cinco mulheres e um em cada treze homens em idade reprodutiva. A menstruação é um dos fatores de risco mais importantes para a enxaqueca sem aura, sendo que há diminuição das crises após a menopausa. 50 a 60% das mulheres com enxaqueca apresenta cefaleia menstrual, cujo risco de ocorrer aumenta durante cinco dias peri-menstruais. Existem dois tipos de enxaqueca menstrual: (1) relacionada com menstruação (sem aura, ocorre dois dias antes e três dias depois do primeiro dia do ciclo menstrual, com crises adicionais com e sem aura em outros períodos do ciclo), (2) menstrual pura (apenas nos dois dias antes e três dias depois do início do ciclo menstrual).
Estas cefaleias associam-se à queda do estrogénio e aumento das prostaglandinas que ocorre dias antes da menstruação.O tratamento pode ser feito com sumatriptano, ácido mefenâmico , rizatriptano e uma combinação de sumatriptano/naproxeno. A profilaxia pode ser feita com estradiol subcutâneo, frovatriptano ou naratriptano.

pdfDownload ptFlag enFlag

As CTA são um grupo de cefaleias idiopáticas onde há ativação das vias nociceptivas trigeminovasculares associada a ativação autonómica craniana reflexa. Deste grupo fazem parte a cefaleia em salvas (episódica ou crónica), a hemicrania paroxística (episódica ou crónica) e a cefaleia breve, unilateral, neuralgiforme com hiperemia conjuntival e lacrimejo (SUNCT). Estas cefaleias têm em comum as crises de curta duração, unilaterais, de dor muito intensa e sintomas autonómicos típicos acompanhantes, diferindo quanto à duração, frequência e ritmo das crises, bem como na intensidade da dor, sintomas autonómicos e opções terapêuticas.
Fisiopatologicamente estão relacionadas com ativação do hipotálamo.
O diagnóstico é clínico e, na forma episódica , as crises são curtas (15 a 180 minutos), diárias, durante semanas, seguidas por um período de remissão que pode durar 12 meses, o que não acontece na forma crónica em que a remissão não chega a um mês.
O tratamento agudo é feito com oxigénio puro, ergotamina e triptano subcutâneo ou sray nasal. A terapia profilática é feita com verapamil, carbonato de lítio ou corticoides.

pdfDownload ptFlag enFlag

A enxaqueca e a cefaleia de tensão são as mais prevalentes nesta faixa etária, embora as crianças e adolescentes possam ter todo o tipo de cefaleias primárias e secundarias. Os mecanismos fisiopatológicos envolvidos são semelhantes aos dos adultos mas o tratamento pode ser diferente.
Nesta faixa etária a enxaqueca apresenta mais sintomas gastrointestinais, pode ser bilateral, ter menor pulsatilidade e duração mais curta, com aura mais complexa. Existem síndromes percursores da enxaqueca: vómitos cíclicos, enxaqueca abdominal, torcicolo paroxístico e síndrome de "Alice no país das Maravilhas". Na enxaqueca o tratamento não farmacológico é preferencial, com boa resposta à terapia comportamental em grupo. Em relação à terapia farmacológica de fase aguda, o ibuprofeno e paracetamol são de primeira escolha até à puberdade. Em casos pontuais pode ser necessária profilaxia, feita com magnésio, extracto de raíz butterbur, coenzima Q10, flunarizina, propanolol e topiramato, com diferentes níveis de evidência e tolerabilidade.
Em relação à cefaleia de tensão episódica, a sua prevalência aumenta com a idade até cerca de 30% na puberdade, sendo rara a sua forma crónica. Tal como na enxaqueca, deve dar-se preferência ao tratamento não farmacológico, apesar de se poder utilizar paracetamol ou flupirtina nas crises muito intensas. Se houver indicação, a profilaxia deve ser feita com amitriptilina em doses baixas.

pdfDownload ptFlag enFlag

Englobam-se nesta definição: (1) cefaleia em facada, primária ou secundaria, (2) cefaleia da tosse, primária ou sintomática, (3) SUNCT (ver "fact sheet sobre cefaleias trigémino-autonómicas). Estas cefaleias têm em comum a dor unilateral com sensação de facada que dura alguns segundos.
Os sintomas têm início cerca dos 45 anos, significativamente mais frequente em mulheres e em portadores de cefaleias primárias, excepto na cefaleia primária da tosse que ocorre sobretudo em homens acimas dos 40 anos.
A cefaleia em facadas tem um carácter paroxístico, com crises que duram segundos, únicas ou em agrupamentos de dor em pontada, de curta duração, unilaterais, sem outros sintomas associados. O tratamento só tem indicação quando as crises são muito frequentes, feito com indometacina em primeira linha e melatonina, gabapentina, nifedipina e celecoxib como alternativas.
A cefaleia primária da tosse é sentida como pontada/facada ou dor explosiva que dura segundos a minutos, desencadeada pela tosse, espirro ou esforço, localizada na região posterior da cabeça. A indometacina é eficaz no seu tratamento, podendo a acetazolamida ser uma alternativa.

pdfDownload ptFlag enFlag

É um tipo de cefaleia que ocorre em doentes que já sofrem de uma cefaleia primária, especialmente a enxaqueca. O uso excessivo de medicamentos é um importante factor de risco na progressão de uma cefaleia episódica para uma cefaleia crónica. Os fármacos envolvidos podem ser analgésicos comuns, combinados, ergotamínicos, triptanos ou opióides, desde que tomados regularmente (>10 dias por mês).
A prevalência é entre 0,7 e 1,7%, dependendo dos critérios diagnósticos utilizados, sendo que nos centros especializados pode chegar a 15%. Em 50% dos doentes com cefaleia diária este é o principal diagnóstico considerado.
O tratamento desta cefaleia passa necessariamente pela retirada abrupta ou gradual do analgésico em uso excessivo, acompanhada por medicação profilática, podendo também ser útil a utilização transitória de corticoides para controlar os sintomas de abstinência. Por vezes o tratamento tem de ser realizado em centros com acompanhamento multidisciplinar a fim de evitar a recorrência da cefaleia.

pdfDownload ptFlag enFlag

O papel da vasodilatação na dor da enxaqueca tem sido objeto de intenso debate durante séculos. No entanto, durante a diminuição da pressão arterial e aumento da frequência cardíaca, assim como no exercício físico, as artérias podem dilatar acentuadamente sem que esta vasodilatação seja acompanhada por dor de cabeça, o que significa que a vasodilatação isoladamente não pode explicar a dor da enxaqueca.
Experiências realizadas em humanos sugerem a ativação de estruturas cerebrais profundas durante a crise de enxaqueca e experiências em animais sugerem que fibras nervosas sensíveis à dor são ativadas por substâncias vasodilatadoras sensitizantes, libertadas pelas terminações do trigémio ou pelos eferentes parassimpáticos.
Como tal é plausível dizer-se que as crises de enxaqueca são evocadas em estruturas cerebrais profundas e que estes mecanismos iniciais despoletam a libertação de substâncias vasoativas em torno dos vasos cerebrais, o que determina a sensibilização dos aferentes do trigémio, vasodilatação e dor.

pdfDownload ptFlag enFlag

A NT apresenta-se como uma dor unilateral, tipo choque elétrico, de início e fim abruptos, no território de um ou mais ramos do nervo trigémio. Pensa-se que pode ser causada por compressão vascular por um vaso tortuoso, ou secundária a tumores, esclerose múltipla ou malformações artério-venosas. O tratamento médico baseia-se na utilização de anticonvulsivantes e o cirúrgico pode consistir na descompressão microvascular, técnicas percutâneas de lesão do gânglio de Gasser ou cirurgia com Gamma Knife.
A DFIP é uma dor facial persistente sem as características das nevralgias cranianas e que não pode ser atribuída a outro distúrbio. A dor é unilateral, contínua ou intermitente, descrita como surda, profunda e mal localizada, sem distribuição neurológica, perda sensorial ou outros deficits neurológicos. A avaliação diagnóstica com Rx, TAC e RMN não demonstram anomalias relevantes. A dor pode ser iniciada por cirurgias ou trauma da face, dentes ou gengivas, mas persiste sem qualquer causa local demonstrável.
Do ponto de vista terapêutico há poucos estudos conclusivos, sendo que a associação de antidepressivos com terapia cognitivo-comportamental pode melhorar a qualidade de vida destes doentes.

pdfDownload ptFlag enFlag