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Director da revista

Sílvia Vaz Serra

Editores
Teresa Fontinhas 
Eunice Silva 
Sara Santos 

Sumário

Editorial - 3
Mensagem do Presidente da APED - 5
Efeito da Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea no alívio da lombalgia crónica: revisão baseada na evidência - 6
Dor Neuropática no doente oncológico - impacto na qualidade de vida e abordagem terapêutica - 11
Aplicação intratetacla de toxina botulinica: melhora da dor e os sintomas urinários causados pela cistite intesticial- estudo experimental efetuado no rato - 19
Dor Crónica após acidente vascular cerebral- 31
A vulnaribilidade à Dor: da subjetividade à evidência -37 
Mitos e efetos secundários dos fármacos analgésico: proteção gástrica e obstipação -43 

 

Editorial - Sílvia Vaz Serra

Olá.
Este é o último volume com a face desta equipa editorial. É o momento e a altura oportuna para agradecer à direção desta grande associação o apoio, o incentivo e a tolerância com que lidaram com as minhas falhas e devaneios. Um obrigado, sincero. A palavra seguinte de gratidão é endereçada aos editores desta revista. Desculpem qualquer falha ou inoperância. Como gosto de dizer, acho que se pode fazer sempre mais e melhor, mas tudo o que viu a luz do dia teve sempre por base a procura da qualidade e a partilha do conhecimento. Não se conseguiu alcançar, conhecer a crítica construtiva de quem nos lê – o aporte dos leitores, entre outras coisas... Fica sempre muito para fazer! Uma última palavra de agradecimento a todos os que aceitaram colaborar nesta revista com os excelentes artigos que engrandeceram e qualificaram a nossa revista.

Mas..., vou continuar a agradecer a confiança da nova direção da APED, na pessoa da sua presidente recém- eleita, pelo desafio lançado de continuar a comandar esta nossa revista. As pessoas e os cargos não se devem eternizar pelo risco de se não inovarem, de ficarem presos a um mesmo olhar, fechado, em espiral recessivo (como as finanças...). Mas (há sempre tantos mas), decidi aceitar: penso que o caminho ainda ficou a meio. Espero que o tempo venha a reconhecer que foi uma sábia decisão. O corpo editorial tem novas colaboradoras, o que irá, naturalmente e de forma salutar, ocasionar uma revista diferente, revitalizada e traduzindo uma nova visão e um novo olhar. Contamos com todos.

Mas vamos ao que nos trouxe aqui: novos e excelentes artigos neste volume (com muito atraso..., muito de acordo com os tempos «pouco tradicionais» deste mundo novo). Assim nunca mais indexamos a revista!

O tratamento das síndromes neuropáticas no doente oncológico é desafiante, e pode envolver múltiplas intervenções, farmacológicas e não farmacológicas. Neste excelente artigo, é avaliado o impacto da dor neuropática na qualidade de vida, no outcome e sobrevivência dos doentes, e é feita uma análise das diferentes abordagens terapêuticas. É feito enfoque na necessidade de prevenção, diagnóstico e tratamento precoces, sendo a pedra de toque a individualização da terapêutica. Os autores realçam, recorrentemente, a importância de mais estudos epidemiológicos: identificar, caracterizar para melhor atuar. A reter.

A lombalgia, as diversas abordagens terapêuticas e as suas consequências continuam no centro do debate científico. Os autores propõem-se fazer a avaliação de uma estratégia conservadora na abordagem ao síndrome da cirurgia falhada da coluna (SCFC): qual o impacto desta abordagem na melhoria da dor e défices neurológicos, e de que forma isso se traduz em ganhos em qualidade de vida nestes doentes. É sugerido o estudo criterioso a todos os doentes, com propostas de cirurgia à coluna, com avaliação clínica e das comorbilidades psicológicas, com vista à prevenção de SCFC e à transmissão ao doente das possíveis implicações e resultados. Na presença de possível SCFC, o acompanhamento precoce destes doentes por uma equipa multidisciplinar que possibilite uma abordagem biopsicossocial é mandatório.

O ponto de partida para o estudo experimental que a seguir se transmite tem por base a demonstração de que a toxina botulínica do tipo A tem propriedades antinociceptivas. No presente trabalho, são estudados os efeitos da administração intratecal de toxina botulínica do tipo A (Onabot/A) no sistema nervoso central e periférico, utilizando um modelo animal de dor inflamatória e hiperatividade vesical induzidas pela administração de ciclofosfamida (CYP). Verifica-se que a toxina atua por clivagem direta da proteína SNAP-25 no sistema nervoso central, e induz um efeito direto nas vias centrais de controlo da dor. É realçada a relevância da via de administração IT, que deveria ser estudada de forma mais aprofundada devido ao seu potencial como alternativa válida no tratamento de casos de dor intratável. Esta via de administração poderá também ser explorada no tratamento de outras patologias caracterizadas por sintomas de dor intratável. Um bom exemplo da adequação do estudo experimental à clínica.

O artigo seguinte aborda os mitos e efeitos secundários dos fármacos analgésicos: proteção gástrica e obstipação. Uma excelente revisão e chamada de atenção, atual e pertinente. Realce para os fatores de risco para toxicidade GI dos AINE (nunca é demais assinalar): anti- coagulantes; corticoides; doses altas de AINE; dade superior a 65 anos; úlcera prévia; aspirina em baixa dose e infeção a H.pylori. Os IBP revolucionaram a terapêutica da patologia GI alta dada a sua elevada eficácia.

Mensagem do Presidente 

Dirijo-me a vós, pela primeira vez, na qualidade de recém-eleita presidente da APED, uma associação com 25 anos de existência! O trajeto percorrido por esta associação científica, com um número reduzido de sócios, ilustra bem a persistência das equipas antecessoras num caminho pejado de obstáculos imprevisíveis.
Se há alguns anos atrás vivíamos na ilusão da prosperidade e do conforto garantido, passamos a viver com uma «crise» instalada e estabelecida, quase normal, tantas são as instituições poderosas que sucumbem do dia para a noite. No entanto, é nosso dever relativizar as nossas dificuldades e abraçar o privilégio de viver num país coeso e sem conflitos, e em que continuam a existir oportunidades individuais e coletivas, que não podem, nem devem ser desperdiçadas, mesmo que tenhamos de trabalhar com mais uma pitada de pragmatismo para rea- lizar os nossos sonhos!
É assim, com orgulho e sentido de responsabilidade, que lidero um projeto que pretende dar continuidade às iniciativas dos que nos precederam, dignificando e honrando a sua dedicação e trabalho e, em simultâneo, impulsionar a APED com novos projetos e ações.
A nova direção da APED mantém a pluridisciplinaridade, promovendo a heterogeneidade do pensamento, e criando elos de ligação entre os vários intervenientes no tratamento da pessoa com dor. Assume o compromisso de trabalhar de forma diligente e dedicada, impulsionando o crescimento e visibilidade da APED junto dos profissionais de saúde e da sociedade em geral.
Desde a sua fundação, a APED tem sido fundamental no fomento do estudo e ensino da dor, na consciencialização dos profissionais de saúde e público em geral, e na promoção de ações junto dos organismos nacionais de saúde, contribuindo para a melhoria do conhecimento e tratamento da dor em Portugal.
Na prossecução deste objetivo, a formação será a nossa prioridade neste primeiro ano, alavancando o esforço necessário à concretização de um programa de pós-graduado modular na área da dor, com organização da APED e sociedades científicas relacionadas com o tratamento da dor. Esta formação será suportada pelas novas tecnologias e terá uma componente prática realizada em cooperação com as várias unidades de dor do país.
Dinamizaremos os grupos de trabalho existentes e formaremos novos grupos, com o intuito de desenvolver recomendações e modos padronizados de atuação nas várias áreas de intervenção clínica, envolvendo a miríade de profissionais que se dedicam ao estudo e ao tratamento da dor.
A revista DOR, órgão de expressão oficial da APED, sob direção da Dra. Sílvia Serra, terá um novo corpo editorial que abraçou o desafio de conseguir a sua indexação, impulsionando a publicação de artigos de elevada qualidade.
Aperfeiçoaremos a página WEB: www.aped- dor.org/, mantendo-a atualizada, atrativa e com conteúdos de eminente relevância científica, estabelecendo-se como uma plataforma de referência para todos os interessados no estudo da dor.
Procuraremos manter ou criar novas parcerias para atribuição dos prémios «Vou desenhar a minha dor», «Revista dor» e «Jornalismo/Dor». Reeditaremos o prémio de fotografia e promoveremos as bolsas APED de apoio à formação na área da dor.
Conceberemos uma exposição que «contará uma história» baseada nos desenhos vencedores do concurso «Vou desenhar a minha dor», com exposição em vários hospitais do país.
Impulsionaremos a presença da APED nas redes sociais, dando a conhecer a um público cada vez mais vasto e abrangente o nosso trabalho e convicções.
Por último, não posso deixar de prestar a minha homenagem ao Dr. Duarte Correia, uma referência e fonte de inspiração pela integridade, profissionalismo, dedicação e abnegação pela APED, e sua filosofia na promoção do conhecimento e tratamento da dor em Portugal.
Votos de um feliz Natal e próspero 2017!