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Director da revista
Sílvia Vaz Serra

Editores
Armanda Gomes
Ananda Fernandes
Graça Mesquita

Súmario

  • Mensagem do Presidente da APED - Duarte Correia - 3
  • Editorial - Sílvia Vaz Serra - 4
  • Dor no Doente Idoso com Demência - Catarina Matos e Joana Henriques - 5
  • Fibromialgia, o Desafio do Diagnóstico - Beatriz Pavão Braga e Cristina Fidalgo Sequeira - 11
  • Avaliação da Eficácia do Tratamento da Dor
no Serviço de Urgência do Centro Hospitalar
do Porto – Hospital de Santo António (CHP-HSA) - Vítor Costa, Acácio Espírito Santo, Vera Gonçalves,
Carlos Macedo, Gabriela Pereira, Ana Carolina Rodrigues, Roberto Rodrigues, Elvira Sampaio, Ana Elisa Serôdio,
Inês Sousa e José Romão - 19
  • Células Gliais Satélite de Gânglios Sensitivos: Ultraestrutura, Fisiologia, Comunicação
Intraganglionar e Papel na Dor - Filipa Alexandra Leite Costa e Fani Lourença Moreira Neto - 25
  • Paternidades na Luta Contra a Dor. 1.a Parte - Joaquim J. Figueiredo Lima - 36

Editorial - Sílvia Vaz Serra

O editorial após as «férias grandes» é sempre dos mais difíceis de elaborar (para mim). As palavras fogem, as ideias emaranham-se nas lembranças do verão passado, a pressão do muito que há a fazer e programar perturbam a lucidez e a concentração do mo- mento presente... A retoma da rotina de trabalho tem de ser reposta, com coragem, de frente e sem delongas!

Portugal enfrenta um envelhecimento populacional significativo. É premente analisar como a avaliação e o tratamento da dor têm sido efetuados nesta franja da sociedade, e em particular quando o compromisso cognitivo é importante. A esta problemática se debruçam os colegas neste excelente artigo. Nele se realça a importância da avaliação sistemática, do relato dos cuidadores, dos vários instrumentos comportamentais, da terapêutica farmacológica precoce e em regime programado, com a finalidade última de melhorar a qualidade de vida destes doentes mais fragilizados.

No artigo seguinte os autores caracterizam as dificuldades sentidas pelos médicos de medici- na geral e familiar (MGF) no diagnóstico da fibromialgia, quantificam a demora ocorrida na definição do diagnóstico e identificam o procedimento seguido após o diagnóstico. São pertinentes as conclusões e sugestões expressas... Nada melhor do que se debruçar sobre este texto.

Apesar da dor ser um dos sintomas mais fre- quentemente referido pelos doentes que recorrem ao serviço de urgência (SU), os resultados da abordagem terapêutica da dor aí praticada não são conhecidos. Esta constatação despertou a curiosidade de um grupo de estudiosos do qual resultou o presente estudo, agora publicado, e que teve como principal objetivo avaliar a eficácia do tratamento da dor no SU do Centro Hospitalar do Porto-HSA. Convida-nos a uma leitura detalhada e reflexiva.

Em mais um excelente artigo, tendo por base as evidências crescentes obtidas pela investigação em diferentes modelos animais de dor crónica, detalham-se os conhecimentos existentes sobre as caraterísticas morfológicas e fisiológicas das células gliais, concluindo-se que estas células satélite são importantes no estabelecimento da dor patológica, e constituem um potencial alvo para o desenvolvimento de novos tratamentos da dor.

No último artigo (primeira parte de um importante texto de pesquisa bibliográfica) deste já longo volume, abordam-se aspetos da evolução histórica na procura de meios e de técnicas passíveis de aliviar a dor e o sofrimento humano desde as mais remotas civilizações. A importância do passado para a compreensão do presente e a projeção do futuro.

Não consigo resistir à tentação de, uma vez mais, me socorrer das palavras de escritores lusos que de forma tão eloquente exprimem sentires e pensamentos dos nossos dias...

«O único impossível é o que julgarmos que não somos capazes de construir. Temos mãos e um número sem fim de habilidades que podemos fazer com elas. Nenhum desses truques é deixá-las cair ao longo do corpo, guardá-las nos bolsos, estendê-las à caridade... Nunca duvidámos de que somos muito maiores do que o nosso currículo, o nosso tempo não é um contrato a prazo, não há recibos verdes capazes de contabilizar aquilo que valemos.» José Luís Peixoto, in «Abraço».

«Era uma vez um pintor que tinha um aquário com um peixe vermelho. Vivia o peixe tranquilamente acompanhado pela sua cor vermelha até que principiou a tornar-se negro a partir de dentro, um nó preto atrás da cor encarnada... O problema do artista era que, obrigado a interromper o quadro onde estava a chegar o vermelho do peixe, não sabia que fazer da cor preta que ele agora lhe ensinava. Os elementos do problema constituíam-se na observação dos factos e punham-se por esta ordem: peixe, verme- lho, pintor – sendo o vermelho o nexo entre o peixe e o quadro através do pintor. O preto formava a insídia do real e abria um abismo na primitiva fidelidade do pintor. Ao meditar sobre as razões da mudança exatamente quando assentava na sua fidelidade, o pintor supôs que o peixe, efetuando um número de mágica, mostrava que existia apenas uma lei abrangendo tanto o mundo das coisas como o da imaginação. Era a lei da metamorfose. Compreendida esta espécie de fidelidade, o artista pintou o peixe de amarelo». Herberto Hélder «Os pássaros em volta».

Até breve.

Mensagem do Presidente da APED - Duarte Correia

Aproxima-se a data do congresso trienal da APED!

O 4.o Congresso Interdisciplinar de dor realiza-se na cidade do Porto, nos dias 17, 18 e 19 de outubro de 2013, no hotel HF Ipanema Porto, integrado nas comemorações da semana europeia de luta contra a dor. Creio que este evento será um local de encontro de todos os profissionais que se dedicam ao estudo e tratamento da dor em Portugal, conducente à atualização, reflexão, discussão, apresentação de ideias e propostas para um melhor controlo da dor.

Este ano alteramos o figurino habitual do congresso, indo ao encontro das múltiplas sugestões que recebemos. Por esse motivo, na quinta-feira, dia 17 de outubro, precedendo o congresso ocorrerão diversos workshops (WS) dirigidos a peque- nos grupos, dedicados aos temas «Nutrição, exercício e dor», «Como avaliar o doente com dor» e «Ecografia e dor», que acreditamos terão o vosso melhor acolhimento.

Temas diversos e atuais, como «Nutrição, exercício e dor», que a Professora Doutora Margarida Espanha dinamizará com o seu brilhantismo e empenho; O WS «Como avaliar o doente com dor», constituido por três módulos, tem por objetivo possibilitar em particular aos mais jovens, um conjunto de ferramentas muito úteis na prática clínica, por vezes um pouco olvidadas – a semiologia e o exame objetivo. Destacamos os grupos de trabalho/ WS «A dor na criança» e «Psicologia na dor», que significam uma continuidade de uma atividade iniciada há cerca de um ano e cujo dinamismo, ca- pacidade de intervenção e realização estarão bem patentes. O WS «Ecografia e dor», está a despertar imensa expetativa e interessse, encontrando-se neste momento as suas inscrições já encerradas!

Não posso deixar de referir que a APED, na sua página web www.aped-dor.org e www.aped-dor. com disponibilizou na área reservada, uma compilação de documentos que consideramos relevantes sobre dor, publicados por autores, entidades nacionais e internacionais, e autoridades de saúde portuguesas. Acredito que esta compilação agora disponível no nosso portal, e que distribuiremos no congresso em pen drive, constitui um importante documento de trabalho, que será de extrema utilidade para todos aqueles que se dedicam ao estudo e tratamento da dor, permitindo uma atualização constante dos seus conteúdos on-line.

Em outubro, três anos decorrerão desde a eleição desta direção, que se propôs continuar e concluir objetivos já iniciados, perspetivar novos rumos, contribuir para uma metarmorfose da medicina da dor, numa participação abrangente de todas as pessoas e organizações.

Sem promessas inexequíveis, propusemo-nos transmitir e concretizar os vossos anseios, pugnan- do por um melhor tratamento da dor aos nossos doentes, que são razão de ser da nossa atividade.

Atingimos alguns objetivos, outros... ficaram aquém do pretendido e desejado. Em particular, a implementação de uma ferramenta informática, consensual, exequível, e facilitadora dos registos eletrónicos das unidades de dor que têm sido considerados um objetivo de importância fundamental pela atual direção da APED. Efetuámos múltiplas diligências, auscultámos diversas opiniões, realizámos alguns workshops ou reuniões, onde discutimos este tema cadente.
À morosidade deste longo processo, acresce o reduzido número de aportes, pela necessidade de se formularem propostas de alteração ou de novas sugestões a implementar, o que ficou, na minha opinião, muito aquém do desejado. Por estes mo- tivos, para além do módulo básico, desenvolvemos e concluímos um item para avaliar os registos referentes à neuromodulação e à acupuntura já finalizados. Estão em curso os trabalhos conducentes à elaboração dos mesmos para a radiofrequência (RF) e para a dor irruptiva (em desenvolvimento recentemente).

Integrei uma equipa coesa, participativa, na diversidade de pensamentos e opiniões, fruto de uma multidisciplinaridade de formação e de conceitos, apanágio de uma sociedade que pretendemos plural e abrangente. Após três anos decorridos, alguns de nós por motivos de natureza pessoal, profissional ou estatuária, terminarão as funções que exercem, enquando outros membros desta equipa que integro submeter-se-ão ao sufrágio e ao veredicto dos sócios da APED.

Decidi, após uma longa, morosa e ponderada reflexão, recandidatar-me!...
Não desejando nem pretendendo ser um presidente candidato ou candidato a presidente, que utiliza os meios institucionais ou as páginas da revista, apelo à vossa participação maciça na assembleia geral eleitoral da APED, que se realizará no sábado, dia 19 de outubro, pelas 15.00 horas, no hotel HF Ipanema Porto.

Por estes motivos, recusando um plebiscito ou a unaminidade de projetos, considero pertinente que outras ideias, conceitos ou pessoas surjam, dinamizando a nossa sociedade, que não desejamos amorfa, anquilosada, espartilhada ou letárgica.